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Dia da Internacional da Mulher

Neste Dia Internacional da Mulher, cumpre-me enaltecer o papel de todas as mulheres que, de forma dedicada e empenhada, exercem funções nesta Câmara Municipal, muitas vezes com sacrifício para a própria família.

O seu contributo para a construção de um Concelho melhor, sendo determinante, é merecedor deste público reconhecimento.

João Ataíde
8-03-2010




O último discurso de Cristina Torres, proferido aos 82 anos de idade, a 24 de Agosto de 1974 e gentilmente cedido pela Dra. Teresa Coimbra.

“Tenho tanta pena de morrer qualquer dia.
Palavra de honra que tenho!
Eu desejava viver mais uns anos para ver uma coisa que para mim está a ser um milagre: o levantamento das Mulheres Portuguesas!
O tempo em que eu estava sozinha, e por vezes era até um bocadinho vaiada, por ser democrata, nessa altura eu não via uma só cabeça feminina.

Era eu… com 16 anos, 17, 20…

Continuei a ser quase sozinha na Universidade, e eu pensava se essas mulheres que eu via ali passarem na rua, com as suas pastas, com os seus livros, com as suas alfaias de estudantes, se essas mulheres não compreenderiam que tinham de colaborar, de qualquer maneira, na vida do País.
Hoje, tenho essa satisfação!
Por isso desejava ver o futuro!

Ver-vos a vocês todas, às raparigas, às mulheres casadas, a todas aquelas mulheres que pudessem colaborar na vida da nação, que tirassem um bocadinho do seu dia, das suas horas de descanso, para lerem, para se cultivarem, para não terem medo da vida, porque a vida não nos mata, nós é que a matamos!

E por isso, eu agradeço as horas que passei aqui, emocionada, e desejo a todas as minhas amigas portuguesas, que são todas, não é, nós somos mulheres portuguesas, desejo-lhes muitas felicidades num futuro Portugal onde elas não tenham de ir como eu fui muita vez, levar com um triste sorriso e um pouco de triste coragem ao meu marido, ao marido das outras e ao País.

Mulheres de Portugal: procurai que os nossos filhos amem a Terra Portuguesa!

E lembrai-vos que Portugal é nosso!
… nosso! E não deve ser de mais ninguém!”

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