O Cabo Mondego situa-se a cerca de 200Km a norte de Lisboa, no bordo ocidental da Serra da Boa Viagem, ao longo da costa, entre as praias da Murtinheira e da Figueira da Foz.
Constitui, sem dúvida, um testemunho irrepetível e insubstituível para a compreensão da história geológica de Portugal; representa, de forma particularmente completa, alguns dos mais importantes episódios da história da Terra ocorridos durante o Jurássico, para um intervalo de tempo que se situa aproximadamente entre os 185 e os 140 milhões de anos, o que justifica, a nível internacional, a relevância da sua classificação, conservação e divulgação.
O afloramento compreende uma série de sedimentos marinhos e fluvio-lacustres que se estendem desde o Toarciano superior até ao Titoniano. Este registo, nalguns níveis, é particularmente contínuo e rico de informações paleontológicas, sedimentológicas e paleomagnéticas, que se associam a excepcionais condições de observação. Inclui níveis com as mais antigas pegadas de megalossaurídeos (dinossauros bípedes e carnívoros) descritas em Portugal e cuja primeira referência data de 1884.
O recente estabelecimento do GSSP (Global Boundary Stratotype Section and Point) do Bajociano no Cabo Mondego pela IUGS (Internacional Union of Geological Sciences) confere-lhe a relevância internacional inerente a um estratotipo e reforça o carácter urgente da sua protecção e valorização.
A sucessão praticamente contínua de materiais do Jurássico médio e superior num local sem perturbações de natureza tectónica, metamórfica ou vulcânica tem uma enorme valia em termos pedagógicos; a paleobiodiversidade decorrente do registo paleontológico reconhecido constitui um importante património museológico, bem como a existência de um estratotipo de limite que tem implicações de índole científica ao mais alto nível, contribuindo para o enorme e conhecido potencial turístico da Serra da Boa Viagem.