Machados Do Período Bronze Final - Depósito De Espite ( Ourém )
Os cinco (5) machados que agora expomos, e que estão acondicionados, em permanência, na Reserva de Metais deste Museu, pertencem a um grande “empilhamento constante de muitos machados, de pedaços de outros e de metal fundido, perfazendo 32 exemplares”, fruto da queda de um velho carvalho que sucumbiu após as cheias do Inverno de 1887, na freguesia de Espite, concelho de Ourém.
Este achado foi descoberto por Jerónimo de Lima Pais de Sande e Castro que, acompanhado pelos arqueólogos Estácio da Veiga, Leite de Vasconcelos e Santos Rocha o recolheu, repartindo e dispersando o depósito pelos mais diversos museus regionais de Portugal. Prática, aliás, comum e de que as reservas museológicas actuais são reflexo. Foram integrados na
Colecção de Arqueologia / Metais , do Museu Municipal Santos Rocha nos finais do século XIX.
Demonstrada recentemente a insistência de uma qualquer unidade politica e cultural correspondente ao chamado “Bronze final do Atlântico”, nomeadamente na faixa litoral atlântica da Península Ibérica, o espaço peninsular constitui durante toda a Pré-História Recente um complexo mosaico cultural regional com dinâmicas e velocidades de desenvolvimento muito interessantes de uma para outra das suas áreas regionais.
À semelhança do que havia acontecido no período do Calcolítico, a metalurgia da Idade do Bronze conhece um notável aperfeiçoamento, fruto de uma maior necessidade de produção, o que obrigou, por sua vez, a uma maior procura de matéria-prima. Esta “revolução” que a Europa viu nascer e crescer com a introdução do cobre, por volta do IV milénio a.C, estendeu-se por mais tempo graças à descoberta de outros minerais que permitiram aumentar a resistência dos próprios metais.
Em sociedades nas quais o metal tinha ganhado o estatuto de “produto de mercado” (Silva et alii, 1993), alguns depósitos podem ter desempenhado funções amortizadoras, ou seja, terem retirado de circulação o excesso de metal, o que parece ser confirmado pela composição destes cinco (5) machados, feitos em cobre, o metal utilizado com mais frequência.
Chama-se ainda a atenção para o facto de existirem algumas marcas nos machados que representam apenas sinais de extracção de amostras de metal, recolhidas, no tempo de Santos Rocha, para respectiva análise química. Este processo, altamente destrutivo, deixou os objectos bastante danificados.